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Open Finance é seguro? O que ele vê, o que não vê e como cancelar

Open Finance é seguro? Entenda como funciona o consentimento, por que você não passa senha para ninguém, o que o Banco Central exige e como cancelar.

Equipe Calen · · Dicas

Sim, o Open Finance é seguro quando usado do jeito que foi desenhado: você escolhe quais dados compartilha, com quem e por quanto tempo, confirma tudo dentro do app do seu próprio banco e não entrega sua senha para ninguém. As regras são do Banco Central (BC), que monitora o sistema, e você pode cancelar a autorização quando quiser. Abaixo, o que isso significa na prática.

Se você ainda não sabe o que é Open Finance, comece pelo nosso guia sobre o que é o Open Finance Brasil. Este texto foca em segurança.

Como funciona o Open Finance, em 30 segundos

O Open Finance é o compartilhamento padronizado de dados e serviços entre instituições autorizadas pelo Banco Central. Sempre existem duas pontas:

  • A instituição que envia os dados: o banco onde você tem conta ou cartão.
  • A instituição autorizada que recebe os dados: pode ser o próprio app que você quer usar ou uma instituição parceira dele.

Segundo o Banco Central, o processo acontece entre duas instituições por vez, e os dados vão apenas para quem você autorizou.

Por que o Open Finance é seguro

A segurança não depende de uma promessa do app. Ela está nas regras que todas as instituições participantes precisam seguir, definidas pela Resolução Conjunta nº 1, de 2020, do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Os pontos principais:

Você não compartilha sua senha

Esse é o ponto que mais muda em relação aos métodos antigos. No Open Finance, a confirmação acontece no ambiente do seu banco: você é levado para o app ou site dele, entra do jeito de sempre (senha, biometria, token) e aprova ali.

Quem recebe os dados nunca vê essa senha. A própria resolução exclui do compartilhamento as credenciais usadas para autenticar o cliente. E exige que a autenticação siga o mesmo nível de segurança que o banco já usa nos canais dele.

O consentimento precisa ser claro e ativo

A resolução diz que o consentimento deve:

  • usar linguagem clara e objetiva;
  • ter uma finalidade determinada (por exemplo, organizar suas finanças);
  • ter prazo de validade compatível com essa finalidade;
  • dizer de qual instituição os dados virão;
  • listar quais dados serão compartilhados.

E proíbe três atalhos: pegar o consentimento por contrato de adesão, por formulário com a opção de aceite já marcada ou de forma presumida, sem você agir. Ou seja, ninguém pode considerar que você aceitou só porque abriu uma conta ou usou um app.

A autorização tem prazo

Até 2023, o consentimento valia por no máximo 12 meses e precisava ser refeito do zero. Uma resolução de outubro de 2023 simplificou a renovação e permitiu prazos maiores que um ano para pessoas físicas, sempre mantendo o direito de cancelar a qualquer momento. Na prática, o prazo aparece na tela antes de você aprovar.

Compartilhar dados não é o mesmo que movimentar dinheiro

Compartilhar dados e iniciar pagamentos são serviços diferentes dentro do Open Finance, com autorizações separadas. Autorizar um app a ler seu extrato não dá a ele permissão para fazer um Pix. Para iniciar um pagamento, a regra exige um consentimento próprio, com as informações daquele pagamento.

O Banco Central resume assim: os dados que você permitir, pelo tempo que você determinar, com a instituição que você quiser. Tudo é feito pelo app ou pelo site do banco, com padrões internacionais de segurança.

O que o Open Finance vê e o que não vê

Depende do que você autoriza, mas as regras deixam alguns limites fixos.

Pode ser compartilhado, se você autorizar:

  • dados de cadastro que você informou à instituição;
  • contas, saldos e extratos;
  • cartão de crédito, com faturas e limites;
  • operações de crédito, investimentos, seguros e previdência, conforme o consentimento.

Para as transações, a regra prevê pelo menos o histórico dos últimos 12 meses dos produtos com contrato em vigor nesse período.

Não entra no compartilhamento de cadastro:

  • sua senha e qualquer credencial de acesso;
  • dados pessoais sensíveis, como definidos pela legislação;
  • notas ou pontuações de crédito.

E nada além do que você marcou. Se você autorizou só a conta corrente, o cartão fica de fora.

O que ainda exige cuidado

O sistema é seguro, mas golpistas se aproveitam do nome dele. Alguns cuidados valem sempre:

  • A autorização acontece no app do seu banco. Se alguém pedir sua senha do banco por link, mensagem ou ligação dizendo que é "para o Open Finance", é golpe.
  • Leia a tela de consentimento. Confira quais dados serão compartilhados e por quanto tempo. Se isso não bate com o que você queria, não aprove.
  • Confira a finalidade. Um app de organização financeira precisa ver seu extrato, mas não precisa iniciar pagamentos.
  • Revise de tempos em tempos. Cancele os compartilhamentos com apps que você não usa mais.

Além das regras do Open Finance, as instituições também seguem a LGPD, a lei de proteção de dados pessoais.

Como cancelar o consentimento do Open Finance

A resolução do Banco Central garante que você pode revogar o consentimento a qualquer momento, por um procedimento seguro e ágil. Na prática:

  1. Abra o app do seu banco ou o app em que você conectou a conta. As regras obrigam as instituições envolvidas a oferecer o cancelamento.
  2. Procure a área de Open Finance. Costuma ter nomes como "Open Finance", "Compartilhamento de dados" ou "Consentimentos". O caminho exato muda de instituição para instituição.
  3. Escolha o compartilhamento e cancele.

As regras dizem que o cancelamento precisa estar disponível pelo menos no mesmo canal em que você deu a autorização. Para compartilhamento de dados, a revogação é imediata. Para iniciação de pagamento, o prazo é de até um dia.

Um detalhe que protege você: o banco que envia os dados não pode sugerir que você cancele, a não ser que haja suspeita justificada de fraude. A decisão é sua.

Como o Calen usa o Open Finance

O Calen conecta bancos e cartões pelo Open Finance, com mais de 100 instituições, como Nubank, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Santander, Inter, C6 e Mercado Pago. Funciona assim:

  • Só leitura. O Calen não movimenta dinheiro. Ele lê saldos, extratos e faturas para organizar suas finanças.
  • Sem senha. O Calen nunca vê nem guarda a senha do seu banco. Você aprova no app do banco.
  • Você desconecta quando quiser.
  • Dados no Brasil. O Calen é uma empresa brasileira e guarda os dados no Brasil.

Com os dados conectados, o Calen categoriza os gastos automaticamente, mostra o saldo previsto de cada dia até o fim do mês e a fatura do cartão se formando. Se você quer entender como montar uma rotina de controle com essas informações, veja o guia de controle financeiro pessoal.

O Open Finance fica nos planos pagos. Quem prefere não conectar nada pode usar o modo grátis, lançando os gastos à mão. Veja os planos.

Perguntas frequentes

O Open Finance é seguro mesmo?

Sim, dentro das regras do Banco Central: você escolhe os dados, a instituição e o prazo, aprova no app do seu banco e pode cancelar quando quiser. Quem recebe os dados não recebe sua senha.

Preciso passar a senha do banco para usar o Open Finance?

Não. Você entra no app ou site do seu próprio banco e aprova lá. A instituição que recebe os dados não vê sua senha.

Um app com Open Finance pode tirar dinheiro da minha conta?

Compartilhar dados não dá permissão para movimentar dinheiro. Iniciar um pagamento exige um consentimento separado, com os dados daquele pagamento. Um app só de leitura, como o Calen, não movimenta dinheiro.

Como cancelo o Open Finance?

No app do seu banco ou no app em que você conectou a conta, na área de Open Finance ou compartilhamento de dados. Para compartilhamento de dados, o cancelamento é imediato.