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Planejamento financeiro pessoal: como fazer em 6 passos

Planejamento financeiro pessoal em 6 passos, com um exemplo em números: renda, fixos e variáveis, objetivos, orçamento, compromissos futuros e revisão.

Equipe Calen · · Dicas

Planejamento financeiro pessoal é decidir, antes do mês começar, para onde vai cada real que você ganha. Você parte do que entra, desconta o que já está comprometido, reserva uma parte para os seus objetivos e define um limite para o resto. Depois acompanha e ajusta.

Abaixo está como fazer planejamento financeiro em 6 passos, com um exemplo em números que acompanha o texto do começo ao fim.

O exemplo deste texto é inventado: imagine a Ana, que recebe R$ 4.000 líquidos por mês, mora de aluguel e tem um cartão de crédito. Troque os valores pelos seus.

Passo 1: tire um retrato do mês atual

Não dá para planejar o futuro sem saber como é o presente. Pegue os últimos um ou dois meses de extrato e fatura e anote tudo que entrou e saiu.

O Caderno de Educação Financeira do Banco Central chama essa parte de registro e recomenda anotar de preferência todo dia, para não esquecer nada. Se você nunca fez isso, faça pelo menos por um mês antes de cravar qualquer número.

No exemplo, a Ana descobriu que gastava cerca de R$ 3.900 por mês. Sobravam R$ 100, mas em alguns meses faltava.

Passo 2: separe despesas fixas e variáveis

Com os gastos anotados, divida em dois grupos. Fixas são as que se repetem com valor parecido. Variáveis mudam de um mês para outro. A explicação completa, com o caso das parcelas e assinaturas, está em despesas fixas e variáveis.

No exemplo da Ana:

Fixas:

  • Aluguel e condomínio: R$ 1.400
  • Internet e celular: R$ 150
  • Assinaturas (streaming, academia): R$ 160
  • Parcela do notebook, faltam 6 (fixa por um tempo): R$ 250

Variáveis:

  • Mercado: R$ 800
  • Transporte: R$ 350
  • Luz e gás: R$ 190
  • Lazer, restaurante, delivery: R$ 600

Total: R$ 3.900

Os fixos da Ana somam R$ 1.960, quase metade da renda. Isso é o que ela precisa pagar mesmo num mês em que não sai de casa.

Passo 3: defina objetivos com valor e prazo

Planejamento sem objetivo vira só controle de gasto. Escolha até três objetivos e dê um valor e uma data para cada um.

A Ana escolheu dois:

  1. Reserva de emergência: R$ 6.000 em 20 meses, ou R$ 300 por mês.
  2. Viagem de fim de ano: R$ 2.000 em 10 meses, ou R$ 200 por mês.

Isso soma R$ 500 por mês. Com a sobra atual de R$ 100, não fecha. O próximo passo existe para resolver essa diferença.

Se você trava na hora de escolher metas, este texto ajuda: como definir metas financeiras que você cumpre.

Passo 4: monte o orçamento do mês

Agora você inverte a lógica. Em vez de gastar e ver o que sobra, você separa primeiro o dinheiro dos objetivos e distribui o resto em limites por categoria.

Uma referência conhecida é a regra 50-30-20: 50% da renda para necessidades, 30% para desejos e 20% para objetivos e dívidas. Não é lei, é um ponto de partida. Para ver como ela fica no seu salário, use a calculadora da regra 50-30-20.

Para a Ana, com R$ 4.000, a regra daria R$ 2.000 para necessidades, R$ 1.200 para desejos e R$ 800 para objetivos. Ela não precisa chegar lá no primeiro mês. O plano dela ficou assim:

  • Objetivos: R$ 500 (separados no dia do salário)
  • Fixos: R$ 1.960 (não mudam no curto prazo)
  • Mercado: R$ 750 (cortou R$ 50 planejando as compras)
  • Transporte: R$ 330
  • Luz e gás: R$ 190
  • Lazer, restaurante, delivery: R$ 270 (a maior parte do corte veio daqui)

Total: R$ 4.000. Nada ficou sem destino.

O corte de R$ 330 em lazer é grande. Se não for realista para você, alongue o prazo dos objetivos. Um plano que você abandona em três semanas vale menos que um plano modesto que você segue.

Passo 5: coloque no papel os compromissos futuros

O mês de hoje não é o único que importa. Muita gente monta um orçamento bom para setembro e é pega de surpresa em janeiro.

O Banco Central lembra de dois tipos de compromisso que costumam ficar de fora:

  • Os que já foram assumidos: parcelas a vencer, faturas de cartão, cheques pré-datados.
  • Os sazonais: impostos como IPVA e IPTU, seguros, matrícula e material escolar.

No exemplo, a parcela do notebook termina em 6 meses. Nesse dia, a Ana ganha R$ 250 por mês de folga, e já pode decidir para onde vai (adiantar a reserva, por exemplo). Por outro lado, se ela tem IPVA em janeiro, precisa começar a separar esse valor agora, em pedaços.

Uma forma prática de enxergar isso é olhar a fatura dos próximos meses, não só a atual. Se você vai parcelar algo novo, some a parcela ao que já está comprometido antes de decidir.

Passo 6: acompanhe e revise todo mês

Planejamento que não é revisado vira um desejo. Reserve meia hora no fim do mês para comparar o planejado com o que aconteceu.

Perguntas que ajudam na revisão:

  • Qual categoria estourou e por quê? Foi um imprevisto ou um hábito?
  • Os objetivos foram separados no começo do mês ou só no fim?
  • Algum fixo pode ser renegociado ou cancelado (plano de celular, assinatura esquecida)?
  • Alguma parcela vai terminar em breve e liberar dinheiro?

Ajuste os limites do mês seguinte com base nas respostas. Nos primeiros três meses é normal errar bastante. O orçamento vai ficando mais preciso a cada volta.

Qual ferramenta usar no planejamento financeiro pessoal

Qualquer uma que você abra toda semana. As opções mais comuns:

  • Caderno: funciona, mas dá trabalho somar parcelas e faturas futuras.
  • Planilha: a planilha de controle financeiro grátis já traz o cartão por fatura, as parcelas espalhadas nos meses, o orçamento com limite por categoria e o saldo previsto de cada dia.
  • Aplicativo: o Calen tem modo grátis, com lançamentos à mão, até 2 contas manuais, cartão, metas e relatórios. Nos planos pagos, ele conecta os bancos pelo Open Finance e categoriza os gastos sozinho. Você também define um limite por categoria e recebe um aviso antes de estourar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre orçamento e planejamento financeiro?

O orçamento é a distribuição do dinheiro de um mês. O planejamento financeiro é maior: inclui os objetivos, os compromissos dos próximos meses e a revisão constante. O orçamento é uma peça do planejamento.

Preciso seguir a regra 50-30-20?

Não. Ela é uma referência para quem não sabe por onde começar. Se o seu aluguel sozinho passa de 30% da renda, os números vão ser outros, e tudo bem. O que importa é todo real ter destino.

Com quanto de renda dá para fazer planejamento financeiro pessoal?

Com qualquer renda. Quem ganha pouco tem ainda mais motivo para planejar, porque um imprevisto pesa mais. O objetivo pode começar pequeno, como R$ 50 por mês.

De quanto em quanto tempo revisar o planejamento?

Uma olhada rápida por semana e uma revisão completa por mês. Uma vez por ano, revise também os objetivos e os contratos fixos.